sábado, 17 de novembro de 2012

Nunca se perde uma paixão. Nunca.




Ontem. Sexta-Feira. Chovia torrencialmente, as gotas que caíam eram tão fortes e violentas, que o som da chuva substituía o do rádio.
Vinha feliz da vida, preparada para o fim de semana, era SEXTAAAAA e mais nada me chateava.
Quase a chegar a casa, dou pisca para a esquerda e...puuuuum. Encolhi os ombros,franzi a testa e só pensei "Eishhhhh...que seca :( ".
Ambos os carros encostaram à berma e um senhor, desorientado e zangado consigo próprio, saía do carro a dizer "Mas a mim tudo me acontece?", com a querida esposa a acrescentar delicadamente "Magoou-se?". Com calma e porque era SEXTAAAAAA, sorri e disse: "Não, está tudo bem, acontece....não se preocupem".
Seguiu-se a papelada, a parte chata, abrigados dentro do carro e tudo se resolveu. Éincrível o peso que o carácter e a simpatia das pessoas têm nestes casos. Com pessoas sensatas, tudo é mais fácil.
Declaração preenchida e lá fui eu, a rir e calmíssima. Era SEXTAAAAAA :)

No fim do jantar e já conformada, afundei no sofá, com o livro que mais me chamou a atenção nos últimos tempos. Um livro que fala connosco, que sussurra e assobia quando passamos por ele.Que interessa se amassei o carro? O seguro existe para isso. Que interessa se chovia muito ou não? O que é que realmente nos chama a atenção? O que nos tira do sério?
Este livro.
Irresistível...verdadeiro. Acima de tudo, realista.
Um bem haja ao Eduardo Sá, que já tive o prazer de o ouvir pessoalmente (embora a voz monocórdica do senhor, seja melhor que ATARAX para dar sono).
É um livro real, de histórias reais embora adaptadas e transformadas pelo próprio psicólogo. Mas reais. Muito nós.
Relembra aquilo que, no escuro, sempre acreditamos. Nada se perde, nada se desfaz. Mesmo que não tenha sido feliz, não tenha acabado em sonho, mesmo que não dure até hoje.
Paixão é sempre Paixão. E nunca se perde. Nunca.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Corajosos, Fortes e Felizes.


Verdade. Tão verdade. E quantas e quantas vezes já perdemos a coragem deixamos de ser fortes e abrimos mão de ser felizes?

domingo, 11 de novembro de 2012

Rei e Senhor.


Eu poderia escrever um texto de caixão à cova, aqueles a que chama "testamento" mal vêem o tamanho, mas estou tão recheada de tudo, que nem isso vou conseguir fazer.
Tanta e tanta gente que cantou, gritou e bateu palmas, suspirou e riu entre as músicas...desde um "Porto Sentido" que me levou a casa e pôs pela primeira vez naquela sala Lisboa a cantar, passando pela forma bonita de te lembrar que "nunca me esqueci de ti", que "Porto Côvo" é já ali ao lado, e acabando com uma "Paixão" sem "Estrelas no céu".

Imaginem a voz do público a sobrepor-se ao cantor, umas lágrimas teimosas a aparecerem e o coração que quase não aguenta tanta música nostálgica e boa ao mesmo tempo.
Quando essa imagem se formar em vocês...considerem-se lá.
Foi assim :)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Flashes


Ontem, estava numa típica SEGUNDA-FEIRA, daquelas mesmo à séria com direito a olheiras, cabelo meio despenteado, quilos de sono e de preguiça. Queria sopas e descanso, chegar a casa e afundar-me em qualquer coisa que se assemelhasse a uma cama ou sofá.
Mas não. Não fiz nada de parecido e fui a um jantar de anos, de família, aos quais gosto sempre de ir mas que exigia da minha parte estar mais desperta. Enfim, não estava de todo nos meus dias...fim de semana em viagem, horas eléctricas de trabalho e uma semana pela frente. Tudo muito apelativo!

O jantar passou-se e eu fui tentando despertar. Veio o café, sobremesas e os famosos parabéns e a noite parecia mesmo puxar-me para a cama.
E eis que alguém se lembra de ir buscar TODOS os álbuns e mini álbuns de fotografias de família, das bem antigas, e espalha em cima da mesa. O objectivo era encontrar uma fotografia que estavam a falar, mas ás tantas já ninguém queria saber.

Eu ri-me, ri-me, ri-me, ri-me. Dei gargalhadas daquelas que nos fazem chorar e doer a barriga. E ri-me, ri-me, ri-me, ri-me. Como se não houvesse amanhã.
Uma panóplia de poses e penteados cómicos, que eram moda num tempo em que ninguém sabia o que era bonito ou exagerado. Era assim e pronto. Com vento ou sem vento, com ombreiras na camisa que faziam 3km de costas, calças multi-funções (tapavam as pernas, amparavam o umbigo, faziam de cinta e não deixavam o peito descair...uma peça espectacular portanto), fatos de treino que davam para fato de gala ou de sair ao Domingo, fatos de banho cintilantes e óculos dupla função: davam para ver bem e para proteger dos mosquitos, tal era o diâmetro da lente. E tinham de ser de massa grossa, senão era batota.
Enfim, o máximo! Todos nós passámos essa fase, eu lembro-me que usava saia de preguinhas e um totó ao lado, com elásticos aos folhos. Uma preciosidade!

Mas éramos felizes e não sabíamos. Nunca se sabe nessa altura. Faz parte não sabermos :) E a vida acontecia na mesma*

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

E quando não há mais do que isso?


É fácil dizermos a alguém aquelas frases bonitas e feitas de propósito para caírem bem, nas alturas perfeitas: "Vais conseguir!" "Amanhã é outro dia!" "Não há mal que sempre dure...", enfim. E de um modo geral todos gostamos de ouvir. E por uns segundos ou minutos, até parece que surtem efeito.

Não me lembro se já aqui vos falei da minha profissão e do dilema que muitas vezes isso me traz. Nunca quis ser educadora, mas vim cá parar por uma ou outra afinidade, talvez fosse esse o grande papel da minha vida. Digo isto, porque quem me vê nesta tarefa diz que me cabe que nem uma luva. E eu sorrio. Agradeço. E pergunto com um ar de espanto "A sério??".
Talvez porque disfarce bem tudo o que muitas vezes me assombra. Mal elas sabem que tantas e tantas vezes tenho vontade de fugir daquela sala. Mas só ás vezes. Há alturas em que definitivamente, me passa tudo e acho um privilégio estar ali.

Este ano tenho 17 crianças, prestes a serem 19 sob a minha alçada, e estou no meu oitavo ano lectivo. Continuo com a mesma ideia que não quero fazer isto o resto da vida, mas acredito que o irei fazer. Gostava de ser daquelas educadoras que adora o que faz e é plenamente apaixonada por tudo o que isso envolve. Mas sou humana, tão drasticamente humana, que também me canso, levanto a voz, franzo a sobrancelha e me penalizo por não ter seguido outros caminhos.
Sem falar daqueles amigos que perguntam "Então para quando o bebé?"- mas estão a falar a SÉRIO???!
Ultimamente não estou com as melhores vontades quando acordo para ir trabalhar, fico irritada com mais facilidade e apetece-me mudar de rumo, como tantas vezes já fiz. E é aí que percebo que o percurso que fiz teve e tem peso em mim. E nunca sou capaz de ir embora, de desistir. Desta vez não!
Sei que lhes passo coisas boas. Sei que sou boa no que faço e tenho que ver para além do que os dias me dão. Sei que há coisas boas e más, que o sol não vem sempre e que o optimismo lidera qualquer dissabor.
Isso deveria ser suficiente.

E quando não há mais do que isso?

:)


Porque o Natal já não está muito longe e porque em tempos de crise...a criatividade é rainha e senhora!