quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Poupem-me.

Gosto de crianças. Trabalho com elas. Não tenho nenhuma em casa.
Gosto de as ouvir falar. Falo com elas no trabalho. Não pratico conversas infantis em casa. E acho que deve ser isso que me falta para pirar de vez...porque até agora consigo falar normalmente e sem jeitos estranhos. Se bem que eu acho que ser mãe ou pai não é ter nenhum atestado de anormalidade crónica onde muda o idioma e forma de falar.
Ouvir no shopping os paizinhos a imitar a fala dos filhos, com voz fininha e em parvonês, não sei se me dá para rir ou chorar- "qué um cuaçã com quéjinho ou fiáme? Aí qué qué!"
Por favor minha gente...eu sei que é o amor e o mimo a falar mais alto e até eu no meu modo extra meloso quase falo em "dói-dói" e "popós" e "coisa uinda da vó Maíia" mas tentem controlar-se. Ok?

Um obrigada sentido, de uma educadora "piocupada".

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O dia em que perdi o coração.

Estar num concerto dos Backstreet Boys era algo impensável para mim, há 20 anos, quando me habituava a ver os cinco fantásticos nas capas da Super Jovem, Bravo ou Ragazza. Ficava sem pestanejar a ver os videoclips, a decorar as músicas, a babar-me com as coreografias. Achava um sonho inalcançável (suspiros).
Pois meus caros, mas eis que Portugal à beira mar plantado, se tornou o melhor dos paraísos.
Numa noite gelada, em que me arrependi amargamente de ter levado calções de ganga (os únicos que tenho), em que esperei longos minutos numa fila interminável, em que me infiltrei na casa de banho dos deficientes (ai Claudétxi, que sufoco!!!) tal era meu aperto, o meu coração começou a ficar histérico. Não eu, o coração mesmo. Siiiiiiiiiiiiiiim, ok, eu gritei um pouquinho e saltei como uma mola mas coisa pouca, discretinha.
Primeiro veio uma banda fenomenal abrir o espectáculo, os Exchange que constituem o chamado power pop group que aposta forte nas vozes em substituição de instrumentos, mas numa harmonia tão pop que nos contagiam com aquela energia boa que se quer antes de um concerto brutal de duas horas de recordações.
O Campo Pequeno foi, de facto, pequeno para tanta gente...


Entraram em grande, claro. Como só eles sabem ser. Lembro-me da sintonia de gritos á minha volta, de toda eu tremer e de me arrepiar ao vê-los entrar em jeito militar, todos coordenados em palco. E eu perguntava para mim "São mesmo eles???". Naquele momento, tinha 12 anos e sentia-me dentro da MTV.
Depois da enérgica abertura, o Nick Carter disse à audiência o quanto se sentia grato por ali estar mas com um certo humor e charme que se manteve presente até ao fim. Todos os elementos foram falando com o público, interagindo e puxando por nós.
Havia uma plataforma no meio da multidão em pé, que os permitia estar ainda mais perto de todos.


«Are you ready to party like it's 1999?» - perguntava o Kevin (oh Kevin.....)para um berro uníssono de toda a gente.O concerto foi maioritariamente com êxitos antigos, os que nos fizeram ter posters no quarto. Ai que nostalgia!!!
Fiquei espantada com as coreografias que não falharam um milímetro e tudo executado entre diversas saídas e reentradas em palco. 'We've Got It Goin' On' e "As long as you love me" deixaram-me de queixo caído. Estão a ver aquele passe de inclinar o microfone e depois sacudir a mão como se distribuíssemos cartas? Tal e qual.
Convidaram também algumas fãs a subirem ao palco (rrrghhh...ranhosas!!!), e em acústico cantaram 'Safest Place To Hide', 'Ten Thousand Promises' e 'Madeleine' (adorei esta última, ouçam!!) 'Shape Of My Heart', de 2000, e 'I Want It That Way', de 1998, começam a fazer temer a chegada daquele momento que ninguém quer: o acender das luzes e abrir das portas do Campo Pequeno, pelo que centenas de cartazes onde se lê "Obrigado" começam a ser levantados entre a plateia. E eram tantos...tantos!!! Eles, tão gratos, tentavam cruzar o olhar com toda a gente. E eu, feita tolinha, dizia Adeus como se me vissem! ahahaha

A alegria das pessoas foi muito evidente ao longo da noite na atitude eufórica que todos adoptaram em palco para quase nos fazerem esquecer que estamos perante pais de família. Fecharam com 'Everybody (Backstreet's Back)' e 'Larger Than Life'.
Estava em total estado de euforia, de tal maneira que me desequilibrei e fui amparada no degrau debaixo por uma senhora muito querida, que apenas se riu e não me rogou pragas. Depois de olhar bem para ela, percebi que era uma figura do teatro, a actriz Noémia Costa,


Estava a acompanhar a filha, suponho :)

Vim cheia de energia positiva, com todas as letras a entoar na minha cabeça. Perdi ali o meu coração, saltou-me pela boca mal os vi em palco.
Num palco onde provaram que os rapazes da rua de trás, estão mesmo de volta. E que ainda têm lugar, In a World Like This.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Há coisas fantásticas, não há?

E é isto que se lê em Queluz...


Engraçado como desabafos e declarações de anónimos espalhados por aí, nos prendem a atenção como se sussurrassem ao ouvido.
A mim parece-me que há tanto dos outros em nós e que no fundo, somos todos tão parecidos.
Até mesmo na alegria de pensar que amanhã é Sexta :)

Arranjem tempo para sepultar silêncios num beijo, que eu vou ali e volto já ;)

P.S - Ainda não vos contei a aventura do concerto dos Backstreet Boys mas ainda estou a sossegar o coração. Mal possa, partilho aqui com todos uma descrição bem parola e histérica daquele dia. Combinado?

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Partir, para não ficar partido.

Todos nós já estamos saturados das dificuldades que vão surgindo no país, com os cortes nos que já nem tem bolso e até mesmo do que sempre o tiveram, felizmente, mas que não são super homens para evitar a mudança das suas vidas.
Foi o que aconteceu com Fernando Tordo, artista da nossa praça, cuja cara já nos é tão familiar...


Aos 65 anos, deixa o país que o viu crescer, emigrou para o Brasil, como tantos outros anónimos já tiveram que o fazer.
Deste lado fica a família e uma carta do filho, que até a mim me fez engolir em seco.
Não está aqui em causa se a vida dele foi mais fácil ou não que a maioria de nós. Escusam de vir os cépticos todos com as merdices do costume já em tom de protesto "Ah e tal, com o mal dele posso eu bem" "Pois, quem me dera ter essas dificuldades" "Ah foi para o Brasil...eu nem tenho dinheiro para ir até Sintra". Não se trata nada disso. Trata-se de toda uma vida de raízes e afectos cá, que de repente tem de mudar porque o país já não nos abraça. É o partir, para não ficar ainda mais partidinho.
Partilho com vocês a carta do filho, João Tordo, que dá que pensar e muito:

Ontem, o meu pai foi-se embora. Não vem e já volta; emigrou para o Recife e deixou este país, onde nasceu e onde viveu durante 65 anos. A sua reforma seria, por cá, de duzentos e poucos euros, mais uma pequena reforma da Sociedade Portuguesa de Autores que tem servido, durante os últimos anos, para pagar o carro onde se deslocava por Lisboa e para os concertos que foi dando pelo país. Nesses concertos teve salas cheias, meio-cheias e, por vezes, quase vazias; fê-lo sempre (era o seu trabalho) com um sorriso nos lábios e boa disposição, ganhando à bilheteira. Ontem, quando me deitei, senti-me triste. E, ao mesmo tempo, senti-me feliz. Triste, porque o mais normal é que os filhos emigrem e não os pais (mas talvez Portugal tenha sido capaz, nos últimos anos, de conseguir baralhar essa tendência). Feliz, porque admiro-lhe a coragem de começar outra vez num país que quase desconhece (e onde quase o desconhecem), partindo animado pelas coisas novas que irá encontrar. Tudo isto são coisas pessoais que não interessam a ninguém, excepto à família do senhor Tordo. Acontece que o meu pai, quer se goste ou não da música que fez, foi uma figura conhecida desde muito novo e, portanto, a sua partida, que ele se limitou a anunciar no Facebook, onde mantinha contacto regular com os amigos e admiradores, acabou por se tornar mediática. E é essa a razão pela qual escrevo: porque, quase sem o querer, li alguns dos comentários à sua partida. Muita gente se despediu com palavras de encorajamento. Outros, contudo, mandaram-no para Cuba. Ou para a Coreia do Norte. Ou disseram que já devia ter emigrado há muito. Que só faz falta quem cá está. Chamam-lhe palavrões dos duros. Associam-no à política, de que se dissociou activamente há décadas (enquanto lá esteve contribuiu, à sua modesta maneira, com outros músicos, escritores, cineastas e artistas, para a libertação de um povo). E perguntaram o que iria fazer: limpar WC's e cozinhas? Usufruir da reforma dourada? Agarrar um "tacho" proporcionado pelos "amiguinhos"? Houve até um que, com ironia insuspeita, lhe pediu que "deixasse cá a reforma". Os duzentos e tal euros. Eu entendo o desamor. Sempre o entendi; é natural, ainda mais natural quando vivemos como vivemos e onde vivemos e com as dificuldades por que passamos. O que eu não entendo é o ódio. O meu pai, que é uma pessoa cheia de defeitos como todos nós - e como todos os autores destes singelos insultos -, fez aquilo que lhe restava fazer. Quer se queira, quer não, ele faz parte da história da música em Portugal. Sozinho, ou com Ary dos Santos, ou para algumas das vozes mais apreciadas do público de hoje - Carminho, Carlos do Carmo, Marisa, são incontáveis - fez alguns dos temas que irão perdurar enquanto nos for permitido ouvir música. Pouco importa quem é o homem; isso fica reservado para a intimidade de quem o conhece. Eu conheço-o: é um tipo simpático e cheio de humor, que está bem com a vida e que, ontem, partiu com uma mala às costas e uma guitarra na mão, aos 65 anos, cansado deste país onde, mais cedo do que tarde, aqueles que o mandam para Cuba, a Coreia do Norte ou limpar WC's e cozinhas encontrarão, finalmente, a terra prometida: um lugar onde nada restará senão os reality shows da televisão, as telenovelas e a vergonha. Os nossos governantes têm-se preparado para anunciar, contentíssimos, que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o que acabou com ela. A primeira coisa foi a cultura, que é o património de um país. A segunda foi a felicidade, que está ausente dos rostos de quem anda na rua todos os dias. A terceira foi a esperança. E a quarta foi o meu pai, e outros como ele, que se recusam a ser governados por gente que fez tudo para dar cabo deste país - do país que ele, e milhões de pessoas como ele, cheias de defeitos, quiseram construir: um país melhor para os filhos e para os netos. Fracassaram nesse propósito; enganaram-se ao pensarem que podíamos mudar. Não queremos mudar. Queremos esta miséria, admitimo-la, deixamos passar. E alguns de nós até aí estão para insultar, do conforto dos seus sofás, quem, por não ter trabalho aqui - e precisar de trabalhar para, aos 65 anos, não se transformar num fantasma ou num pedinte - pegou nas malas e numa guitarra e se foi embora. Ontem, ao deitar-me, imaginei-o dentro do avião, sozinho, a sonhar com o futuro; bem-disposto, com um sorriso nos lábios. Eu vou ter muitas saudades dele, mas sou suspeito. Dói-me saber que, ontem, o meu pai se foi embora.

E é isto.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Porto dos meus olhos.


E é isto. Estou inchadinha de orgulho.
Não dá para escrever mais aqui, porque estou imobilizada por um alguidar que me está a amparar a baba e se me mexo muito, faço estragos.
A minha cidade está uma menina crescida :)

Bom fim de semana silenciosos****

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

100.

E chegámos à centena. 100. Cem!!!! Ceeeeeeeeem :)
Já gritei, já ri, já pulei, já rebolei no chão como os cães - estou feliz, pronto!
Obrigada a quem está sentado nesta aventura cor de rosa, a Sala é tão vossa. Sempre :)

Quem me conhece, sabe que gosto de assinalar os momentos que mais gosto. E que tal se espalhássemos amor?

Por um mundo mais Amèlie Poulain!! As cinco primeiras pessoas que comentarem "eu quero" neste post receberão ao longo deste ano uma surpresa minha - alguma coisa feita em casa: um poema, carta, desenho ou outra surpresa! De qualquer forma, alguma coisa feita por mim, nada comprado! Não vai ter aviso, isso acontecerá quando eu tiver vontade, a qualquer momento. O que eu peço em troca? Estas cinco pessoas têm que fazer a mesma oferta no blogue ou rede social se tiverem e dividir a alegria com as pessoas à volta delas. Vamos ter em 2014 mais gestos simpáticos e gentis uns com os outros com o único objetivo de fazer alguém sorrir e mostrar que nós pensamos nele/a.
Por um ano cheio de surpresas!

Gosto de vocês :)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

E vem aí....

...aquela praga dos corações espalhados pelas montras, pelos corredores do supermercado, por todo o lado onde é suposto ninguém se lembrar de corações.
Por acaso eu própria sou fã deste símbolo, mas há por aí tanto exagero e tanta falta de gosto :/
E aquelas frases todas fofinhas a tresandar a parolice, tipo "És tão doce que vou ficar com diabetes" ou "O teu pai devia ser Ourives, para fazer uma Jóia como tu!"
Eu continuo a preferir os beijinhos: repenicados, breves, longos ou apaixonados, beijo que é beijo é BOM! Os que deixam um friozinho na espinha, os que param o coração, o que fazem levantar a pontinha do pé.
E quem não se lembra do 1º?

Aqui fica um para todos os meus silenciosos, a menos de um mês dos meus 32 aninhos.