Gosto de música. Muita e muito. Gosto de saber as letras, de navegar sozinha em todas as palavras e tem vezes que tento imaginar o que está por trás daquela história.
Gosto de músicas tristes, alegres, músicas de Domingo à tarde, de Sábado à noite, música de fazer filhos ou música de cortar os pulsos, se esse for o caso ou o momento.
E gosto de composições inteligentes, de gente com vários andares e portas dentro da alma. É assim que vejo o Jorge Palma, que apesar da não apreciar a sua figura, gosto de imaginar o que aqueles olhos já viram e passaram. Tem as letras mais fascinantes de sempre, mais terapêuticas que um belo dia de sol. Foi com uma música dele que reinventei a minha energia no meu último ano de curso, quando me apetecia desistir.
E foi quando perdi a minha avó, que mais o ouvi. E fez-me tão bem...
Alguém conhece esta?
"Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Só por ter dois sois
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar
E anda sempre alguém por lá
Junto á tempestade
Onde os pés não tem chão
E as mãos perdem a razão
Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir
E anda sempre alguém por lá
Junto á tempestade
Onde os pés não tem chão
E as mãos perdem a razão
Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Eu sei que nenhuma vai ganhar"
SÓ.
Boa semana***
segunda-feira, 7 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
O mundo num só dia.
A vida pode ter tanto de engraçada, como de triste.
Ontem foi um dia cheio. Tanto de comemorações como de desfechos...cá em casa faziam-se 3 anos de casamento, no Porto a minha avó era cremada, nasceu a minha prima Leonor, a minha "sobrinha" emprestada Violeta e eu passei o dia todo a tentar abstrair-me da ironia disto tudo.
Se eu pensar friamente, que vimos todos de um espermatozoide e que podemos acabar em pó, o melhor de tudo isto é mesmo o intervalo entre os dois: a vida.
Por isso, toca a aproveitar a Sexta Feira que está quase a chegar...e talvez vos caiba o mundo num só dia.
Beijinho silencioso***
Ontem foi um dia cheio. Tanto de comemorações como de desfechos...cá em casa faziam-se 3 anos de casamento, no Porto a minha avó era cremada, nasceu a minha prima Leonor, a minha "sobrinha" emprestada Violeta e eu passei o dia todo a tentar abstrair-me da ironia disto tudo.
Se eu pensar friamente, que vimos todos de um espermatozoide e que podemos acabar em pó, o melhor de tudo isto é mesmo o intervalo entre os dois: a vida.
Por isso, toca a aproveitar a Sexta Feira que está quase a chegar...e talvez vos caiba o mundo num só dia.
Beijinho silencioso***
terça-feira, 1 de abril de 2014
A carta que nunca lerás.
Á minha avó, ao meu amor:
Escolheste o último dia do meu mês de Março, o meu preferido, para te ires embora. Ou então escolheram ouvir-te e entre um sonho e o outro, levaram-te. Nem sequer imagino a quantidade de vezes que gritaste em silêncio para que te levassem...mesmo sem saberes para onde. Mas sei bem as vezes que eu pedi para te guardarem lugar nessa viagem. Sei que querias e sei que o verde dos teus olhos, já não era de esperança. Eram restos de palavras e pedidos teus que já não chegavam completos a este lado. Pedi porque gostava (e gosto) demasiado de ti para te voltar a ouvir dizer que "não fazias mais nada aqui"...lembras-te como eu te contrariava, com piadas parvas?
Lembras-te como te convencia a "ficar cá" num hotel cinco estrelas, onde cuidavam de ti e onde de vez em quando se esqueciam das batatas fritas ao pé de ti. Aquelas que não deixavas escapar.
Sei que no meio de tantas memórias perdidas, eu estava mais ou menos intacta. Sabia disso quando olhavas para mim e me passavas a mão na cara, depois de horas à minha espera. Eu nem sempre cheguei. Nem sempre era eu quando a porta da rua se abria...nem sempre era eu ao telefone, mas tu entendias porquê.
Até ao dia de ontem, acho que nunca percebeste porque vim para longe, baralhavas-te entre um simples passeio e um trabalho que me obrigava a ficar longe. Mas não, vim por opção, por achar que o resto da minha vida começava deste lado. Eu sei que sempre me perdoaste. Sei disso, porque no amor perdoamos sempre. E tu disseste-me que eu "era o amor da tua vida", mesmo que eu te lembrasse que tinhas mais amores. Hoje, percebo porque o disseste: porque achaste que era verdade. E a verdade, por mais estranha que possa parecer, é sempre a que fica mais perto do coração. E eu disse-te a minha verdade, ao ouvido, antes de te levarem para o buraco escuro do crematório: "Vózitas, gosto muito de ti". Disse-te bem junto à pele gelada, aquele frio diferente de todos os frios e que nunca ninguém esquece. O frio de quem já não está. Ouviste alguma coisa?
Ouviste ou sentiste de todas as vezes que fui ver-te ao quarto, quase hibernada no teu sono e te aconcheguei na cama?
Uma dessas vezes, apanhaste-me a chorar a olhar para ti e de sobressalto me perguntaste "Quem te fez mal?!" e eu disse que estava só cansada. Lembras-te? Menti-te porque não tive tempo de esconder o que ali estava a fazer. E não era nada de especial, era apenas um momento de simples regalo do teu descanso de bebé.
Tinhas os olhos mais bonitos que vi até hoje, mas os mais tristes também. Há 3 anos tinhas uma vida quase autónoma e ver-te a perder capacidades para a merda de uma demência que em vez de levar tudo de uma vez, levava aos poucos, foi a experiência mais ingrata que tive. Estava longe mas tinha a perceção perfeita das falhas que o teu corpo ia tendo. O mesmo corpo que tanto trabalhou desde novo, que não te permitiu sequer ir à escola. O mesmo que cuidou de mim e das minhas primas, o que andava a correr atrás de mim à volta da mesa quando fazia das minhas. O que me preparava o melhor empadão de carne, o melhor bife com batatas fritas e o melhor refresco de sempre.
Nunca vais ler o que aqui está e mesmo que eu te lesse, não ouvirias metade. Não faz mal, sei que sabes tudo isto. Mesmo que para ti, já só restasse ruídos e confusão de datas e caras.
Perceber que tinhas parado em 1982 no dia dos meus anos, tinha tanto de doce como de amargo. Lá está, a data do amor que me falavas. E no amor, todos os dias contam não é?
Há três semanas, perguntei-te "Estou bonita avó? Olha para mim, estou bonita?" e a tua resposta foi "ÉS bonita" e eu percebi aí, que onde quer que fosses ou estivesses, há uma visão que nunca se perde e uma beleza que dura sempre: aquela dos que amamos.
E eu amo-te e vou amar-te sempre**** a tua Nocas Pocas.
sexta-feira, 28 de março de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
Garatujar
Hoje foi um dia especial lá no trabalho: após semanas de ensaios, o meu grupo apresentou o primeiro teatro de fantoches (feito com colheres de pau). Sim, aqueles meninos que mal falavam quando lá chegaram, um deles tinha só 8 meses. Outros pouco mais que isso, ainda achavam que o sol tinha mil cores e que um sapato era só para trincar.
Agora já refilam, argumentam como se fossem donos da razão, calçam-se sozinhos, pedem para repetir ás refeições e até me corrigem quando meto o pé na argola.
Lá do alto dos seus quase 4 anos, riem-se quando tropeço ou faço dois totós para me parecer com algumas meninas.
Lá do alto dos seus 4 anos, tiveram de me ouvir em modo repeat durante um mês, com as mesmas falas e músicas, com as interrupções do que estava mal ensaiado e os nervos que todos estávamos.
Já todos sabíamos de cor a história do Teatro: "O monstro das festinhas", que tinha tanto de engraçado como de verdadeiro...no fundo, todos nós procuramos alguém que que nos faça saltar o coração :)
E o meu saltou. No início, durante e no fim, em diferentes estados. De repente, 567 sermões depois e 23145 ensaios repetitivos, ali estavam eles, do alto dos seus 4 anos, a provarem-me que sou uma chata e que sofro por antecipação. Já não era eu que os orientava, eram eles a mim!
Minutos antes, só lhes dizia "Eu e a F., gostamos muito de vocês e vai correr tudo bem!" - o ar deles de desconfiados e ao mesmo tempo de "Isso já sabemos nós...qual a novidade?", fez-me ver o tempo a voar.
Como voa tudo aquilo que gostamos e onde nos sentimos bem.
Ali, na Garatuja (nome do Colégio onde trabalho, que significa os primeiros rabiscos das crianças, quando percebem que podem usar algo para criar numa folha) tudo passa a voar. Pelas boas condições, pelas profissionais, pelas directrizes que seguem, pelo que passam ás crianças e pelo espaço em si.
Tenho muito gosto em fazer parte da equipa, onde amadureci e onde fui eu...sempre feliz.
Visitem o site e "garatujem" connosco - http://garatuja.pt
Até já silenciosos!
Agora já refilam, argumentam como se fossem donos da razão, calçam-se sozinhos, pedem para repetir ás refeições e até me corrigem quando meto o pé na argola.
Lá do alto dos seus quase 4 anos, riem-se quando tropeço ou faço dois totós para me parecer com algumas meninas.
Lá do alto dos seus 4 anos, tiveram de me ouvir em modo repeat durante um mês, com as mesmas falas e músicas, com as interrupções do que estava mal ensaiado e os nervos que todos estávamos.
Já todos sabíamos de cor a história do Teatro: "O monstro das festinhas", que tinha tanto de engraçado como de verdadeiro...no fundo, todos nós procuramos alguém que que nos faça saltar o coração :)
E o meu saltou. No início, durante e no fim, em diferentes estados. De repente, 567 sermões depois e 23145 ensaios repetitivos, ali estavam eles, do alto dos seus 4 anos, a provarem-me que sou uma chata e que sofro por antecipação. Já não era eu que os orientava, eram eles a mim!
Minutos antes, só lhes dizia "Eu e a F., gostamos muito de vocês e vai correr tudo bem!" - o ar deles de desconfiados e ao mesmo tempo de "Isso já sabemos nós...qual a novidade?", fez-me ver o tempo a voar.
Como voa tudo aquilo que gostamos e onde nos sentimos bem.
Ali, na Garatuja (nome do Colégio onde trabalho, que significa os primeiros rabiscos das crianças, quando percebem que podem usar algo para criar numa folha) tudo passa a voar. Pelas boas condições, pelas profissionais, pelas directrizes que seguem, pelo que passam ás crianças e pelo espaço em si.
Tenho muito gosto em fazer parte da equipa, onde amadureci e onde fui eu...sempre feliz.
Visitem o site e "garatujem" connosco - http://garatuja.pt
Até já silenciosos!
terça-feira, 18 de março de 2014
Pessoaliversidade
Acho que acabei de inventar a palavra mais parvinha e mais complicada dos últimos tempos: Pessoaliversidade.
No outro dia, enquanto fazia uma longa viagem de carro com amigos,a apreciar a luz infinita do pôr do sol e enquanto revivia muitos episódios de um fim de semana fabuloso e me recordava de outros tantos, com outros amigos, noutros lugares...vinha a pensar na diversidade de pessoas e personalidades que existem à nossa volta. As que conhecemos, as que nunca vimos, as que conhecemos de vista, as que nos são só familiares e aquelas que ansiamos que nos sejam apresentadas.
Pensava eu, na imensidão do nada e de um cansaço típico de quem gastou todos os cartuchos no fim de semana, na variedade de características e de diferenças de pessoa para pessoa.
As que não gostam de chuva. As que desejam morar numa sauna. As que fazem a cama antes de sair de casa. As que nunca a fazem por não valer a pena. As que preferem não sair de casa e não ter qualquer história para contar. As que não perdem um convite. As que se fazem convidadas. As que não têm como dizer NÃO. As que só bebem água fresca. As que acham que a água é para "meninos".
As complicadas. As demasiado simples. As teimosas que nem uma mula. As persistentes. As que preferem o dia à noite. As que vão ao Multibanco pagar as contas desta vida e da outra. As que têm o azar de apanhar sempre essas mesmas pessoas à frente.
As que fazem um constante zapping no rádio, que nem deixam acabar uma só música.
As que não gostam das Terças Feiras.
As que pensam nisto tudo numa viagem de carro, sem mais nem menos.
E as que reparam em coisas insólitas, como esta...
Bom resto de semana silenciosos***
No outro dia, enquanto fazia uma longa viagem de carro com amigos,a apreciar a luz infinita do pôr do sol e enquanto revivia muitos episódios de um fim de semana fabuloso e me recordava de outros tantos, com outros amigos, noutros lugares...vinha a pensar na diversidade de pessoas e personalidades que existem à nossa volta. As que conhecemos, as que nunca vimos, as que conhecemos de vista, as que nos são só familiares e aquelas que ansiamos que nos sejam apresentadas.
Pensava eu, na imensidão do nada e de um cansaço típico de quem gastou todos os cartuchos no fim de semana, na variedade de características e de diferenças de pessoa para pessoa.
As que não gostam de chuva. As que desejam morar numa sauna. As que fazem a cama antes de sair de casa. As que nunca a fazem por não valer a pena. As que preferem não sair de casa e não ter qualquer história para contar. As que não perdem um convite. As que se fazem convidadas. As que não têm como dizer NÃO. As que só bebem água fresca. As que acham que a água é para "meninos".
As complicadas. As demasiado simples. As teimosas que nem uma mula. As persistentes. As que preferem o dia à noite. As que vão ao Multibanco pagar as contas desta vida e da outra. As que têm o azar de apanhar sempre essas mesmas pessoas à frente.
As que fazem um constante zapping no rádio, que nem deixam acabar uma só música.
As que não gostam das Terças Feiras.
As que pensam nisto tudo numa viagem de carro, sem mais nem menos.
E as que reparam em coisas insólitas, como esta...
Bom resto de semana silenciosos***
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