sábado, 31 de janeiro de 2015

A importância de um sorriso.

"O sorriso não é o mesmo que o riso. Separa-os um fosso tão grande como o que separa as lágrimas silenciosas, diante de um desgosto, dos gritos histéricos e lancinantes de quem não sabe dominar-se. Bergson escreveu: “O riso é algo que irrompe num estrondo e vai retumbando como o trovão na montanha, num eco que, no entanto, não chega ao infinito”. O sorriso, pelo contrário é silencioso como chuva mansa que cai e fertiliza a terra ou como brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Enquanto o riso é extroversão, o sorriso desvenda delicadamente o interior de quem sorri.

O poder do sorriso é grande, e saber sorrir é algo de muito importante. Antoine de Saint-Exupéry diz: “No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele”.

O sorriso traduz, geralmente, um estado de alma; é um convite a entrar na intimidade de alguém, a participar do que lhe vai no íntimo. É por isso que o homem é o único animal que sorri; e, como é dotado de inteligência e vontade, pode sorrir quando tudo vai bem ou sorrir mesmo que as coisas corram menos bem – tudo se resume na harmonia interior.

O sorriso é o que primeiro acontece quando um rapaz e uma rapariga se olham e se enamoram. Não sabem explicar por que se enamoram, mas é-lhes impossível deixar de sorrir um para o outro, num sorriso cúmplice de quem não precisa de palavras para dizer o que sente. Se o enamoramento continua vem a fase em que, juntos, acham graça a tudo, sem prestarem atenção a nada do que os rodeia. Então, por vezes o seu sorriso muda-se em riso estrondoso, mas cristalino manifestando toda a força da sua juventude. Se o enamoramento leva ao namoro e este ao amor que conduz ao casamento estável, então saber sorrir é fundamental para vencer o desgaste da rotina do dia a dia e para evitar o afastamento de dois seres que, vivendo muito perto, estão interiormente afastados – não estão em sintonia.

É pois muito importante saber sorrir. Um sorriso pode dissipar uma angústia, se for simpático, ou aumentá-la se for sarcástico; pode estimular um trabalho, se for de aprovação, ou desanimar quem trabalha se for cínico; pode criar uma amizade, se for sincero e transparente, ou um afastamento se for hipócrita; pode humilhar de modo irreversível se não for autêntico e espontâneo.

O sorriso pode ser um grande auxiliar na educação. Não o sorriso que pactua com a asneira, mas o sorriso que acompanha uma repreensão justa e que mostra ao visado que, apesar da dureza e firmeza da repreensão, há amizade e compreensão.

Sorrir, porém, pode ser uma tarefa difícil. A dor e o cansaço tornam, por vezes, o sorrir muito árduo. Se há fortaleza interior então há sorriso, mas dorido. Perguntaram um dia a uma doente em grande sofrimento: “Como te sentes?”. A resposta foi desconcertante: com um sorriso-dorido respondeu: “dói-me tudo”.

Mas como anda desvirtuado o sorriso! Será que podemos chamar sorriso o que vemos no rosto dos que assinam os “tratados de paz e cooperação”? Não, o que vemos não passa de um esgar.

E termino com uma frase que vinha num calendário de bolso que me deram: “Não critique, ajude; não grite, converse; não acuse, ampare e… não se irrite, sorria”."


(Maria Fernanda Barroca)

O meu, será sempre vosso.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Uma questão de pronúncia.

Sou portuense de gema, de tripa e coração, com tudo o que tenho direito: panca por Francesinhas e pronúncia acentuada. Ás vezes, nem sempre, confesso...e com grande pena minha. Estou há 5 anos e meio em Lisboa e, sem querer, vou adaptando o meu discurso e toda a fonética, à linguagem dos que ouço à minha volta. Nos dias em que falo ao telefone com alguém do Porto, tudo se intensifica ou quando vou lá passar uns dias. Dizem os que me aturam, que desta vez venho bem carregada.
Este post é para eles mesmo. Para os que se riem e me tentam imitar e que eu sei que o fazem com carinho :) para os que me pedem para repetir quando digo "mas isto agora é 'sempr'abiár?!" ou "Num bais comêr?".
Ouvirem desabafos indecifráveis do tipo "paaaaasht" enquanto reviro os olhos ou despachar alguém com um "Andor Bioleta!", é algo frequente.
O que distingue o falar do meu Porto, mais que a maior ou menor criatividade de algumas expressões populares — aliás presente em todo o País — é a fonética. Os órgãos que articulam a fala dos portuenses são rigorosamente iguais aos de qualquer português, acreditem. Contudo, talvez por influência de réstias de uma língua anterior ao galaico-português (apeteceu-me parecer chique agora), no Porto os «b», por exemplo, são mais fortes e sobrepõem -se aos «v». Daí resulta o «binhu» (vinho), «barãnda» (varanda), «biána» (Viana) ou «bibu» (vivo).
Uma outra particularidade portuense, e nem sempre entendido para quem chega, é o modo descomplexado e até com sentido pejorativo como são utilizadas palavras e expressões que noutros locais são tidos como grandes palavrões. Não é invulgar ouvir uma amigo dizer a outro, dando-lhe uma palmada nas costas: «Anda cá, meu filho da puta...» Tal como não é uma coisa do outro mundo presenciar uma mãe a regalar-se com uma tropelia do filho, chamando-lhe carinhosamente «cabrão do caraças». JURO que não é má educação. Vá...não é lindo de se "oubire" (ou então é...) mas é quase inevitável.
Eu própria, no trânsito, digo coisas bem ruins e se estiver bem disposta, sai qualquer coisinha a dar ênfase à minha alegria. E mais não posso dizer porque tenho uma reputação a conservar.

E expressões que quase só nós tripeiros entendemos? ADORO! Querem saber umas quantas?

Deu-lhe a filoxera — Desmaiou.
Dar corda aos vitorinos — Andar rápido, fugir.
Dói-me o garfeiro todo — Doem-me os dentes.
Já vem aos Ésses — Estar bêbado.
Estar de beiços ou trombas — estar amuado.
Foi fazer tijolos — Morreu.
Foi com as couves! - Morreu.
Mandar uma traulitada directa à caixa dos fusíveis — Dar um murro nas ventas, quer dizer, no focinho, ou seja, na cabeça.
Vidrinho de cheiro — Diz-se de alguém que se ofende facilmente.
Secou-se-lhe o céu da boca ou quinou — Morreu.
Vai no Batalha — Como quem diz: isso é filme; forma mais prosaica de dizer que é mentira.

Aloquete — Cadeado.
Azeiteiro — Parolo.
Benha — Diz-se repetidas vezes, e é o grito de guerra dos arrumadores de carros para assinalar um lugar vago entre muitos outros disponíveis. É um «beinha» que prosaicamente significa «venha».
Botar — Pôr, deitar.
Breca — Cãibra.
Burgesso — Aquele que, além de burro, é teimoso e feio que nem uma porta.
Canalha — Miúdos, crianças.
Cruzeta — Cabide.
Chuço — Guarda-chuva.
Estrugido — Refogado.
Fino — Cerveja servida a copo.
Moina — Polícia.
Morcão — Palerma.
Sameira — Cápsula de refrigerante.
Vagem — Feijão verde.

Posto isto, só me ocorre dizer que o Porto, é uma NAÇON!!! Ahaha
E nem sequer teve infância, já nasceu grande!!!!

sábado, 24 de janeiro de 2015

Norte.

No outro dia, uma amiga minha disse-me isto mesmo:

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.
São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.


(Miguel Esteves Cardoso)


e eu gostava tanto de acreditar que me vêem assim...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Não me apetece dar título a isto.

Num país em que a adopção de crianças por casais homossexuais é chumbada e a venda da PT aprovada, só me resta concluir que, infelizmente, é muito melhor termos dezenas de canais, internet ás paletes e telefone fixo, do que dar a oportunidade a uma criança órfã, de ter uma casa. Ai Portugal, Portugal...de que é que estás à espera?
Já sei que possivelmente, ninguém irá aqui opinar, porque sempre que abordo politiquices religião ou futebol, fica tudo calado que nem um rato. Gente, aqui na Sala fala-se de tudo. E eu, como Educadora de Infância vos garanto, que as crianças fazem uma leitura do amor da forma que tem de ser, não distinguem se vem em formato homossexual ou não.
O amor, seja de que forma for, é e será sempre saudável. A ausência ou privação do mesmo, é que tem duras consequências.
(E como diz o Filipe Vargas) Das duas uma: ou os 120 deputados que votaram contra a adopção por casais homossexuais são todos voluntários assíduos em orfanatos e dão metade do seu ordenado às instituições que acolhem estas crianças sem família, ou caso contrário não entendo como é que podem hoje dormir com a consciência tranquila.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ode...aos Românticos.

Românticos. Essa espécie cada vez mais rara. Cada vez mais olhada de lado.
Hoje vim confessar-me em voz alta. Padeço dessa doença secular, incurável, gratuita e despachada. Gratuita porque não abasteço farmácias, desenrascada porque não atrapalho nas salas de espera de um qualquer consultório nem perco tempo com o que não tenho. Vou atrás. Viro o mundo ao contrário e em nome próprio.
Muita gente acha que ser romântico é ser exigente. Nada disso.
Hoje vim defender todos os piegas e lamechas como eu, que lambem feridas sozinhos e que são constantemente motivo de risinhos por acharmos que um dia...o nosso dia chegará. E se chegar? Em que é que isso pode parecer ridículo?
Ridículo é a descrença dos tempos. É não ver luz nenhuma em lado nenhum. É o comodismo, o morno e o assim-assim. É um "podia estar ali, mas estou mais quentinho aqui".
Nós, os Românticos, somos tudo menos exigentes. Somos tão chonés (já vos disse que adoro esta palavra?) que qualquer coisa nos faz colar o coração ás costas. Basta a primeira palavra doce no início de uma frase e pronto...já fomos. Já o chão desaparece. Choramos com novelas que nunca vimos, filmes que ainda nem deram mas que vimos o trailer e isso basta, temos sempre a colecção da Renova em diferentes formatos de lenços, reparamos nos velhinhos de mão dada, achamos que aquela música é sempre para nós e sonhamos com videoclips. Dormimos quase sempre na posição pirosa da conchinha ou de barriga para baixo, abraçados à almofada (é isto, não é?).
Somos tão básicos que um jantar a dois no meio do chão ou dentro de um carro, pode superar um restaurante cinco estrelas.
E não somos parvos. Sabemos que a imagem do "felizes para sempre" e do príncipe que nos salva num cavalo branco, é uma agulha num palheiro numa variante raríssima da utopia do amor (agora compliquei...eu sei). Ou seja, sabemos que isso não vem. Se existissem, o homem da Telepizza não viria de mota. Get it?
Apenas acreditamos que essa mesma mota nos pode levar de impulso por estradas feitas por nós. Ou simplesmente a uma roulote de cachorros ás 4h da matina. E isto todos nós gostamos.
Os Românticos, nem quando sofrem chateiam. Adormecemos a chorar, bem sossegados. Ficamos bem amassadinhos por dentro, depois de uma noite a sonhar que cantamos o I Will Always Love You da Whitney Houston, com o Kevin Costner a ver. E na manhã seguinte, não aprendemos nada. Fazemos as pazes com a vida, isso sim.
Acreditamos apenas que o amor está onde tiver que estar.
E se demorar, esperamos. Se vier já a seguir, estaremos prontos. Se estiver atrasado, basta avisar, que aqui nos manteremos.
O amor também é uma coisa estranha. O amor forte raramente é fácil. Faz-nos muitas vezes dar voltas que nunca pensámos. Coloca-nos em caminhos que não achámos possíveis. Sinuosos e difíceis de percorrer. Faz-nos, muitas vezes, ter medo do que vem a seguir. Faz-nos pensar e questionar muito daquilo que tínhamos como adquirido. Faz-nos tomar decisões que não entendemos. E que, até, nem queremos.
O amor também é uma coisa estranha. Muitas vezes difícil. Rodeado de interrogações. De muros que não deixamos desconstruir. De bagagens de tempos passados, carregadas de falhanços acumulados.
O amor não tem de ser um drama. Não tem de doer. Não tem de fazer sofrer por antecipação. Não tem de ser nervoso. Não tem de ter todas as respostas do mundo. Tem de ser o querer decidido. Os Românticos acham que a paixão é urgente. O beijo ardente. O abraço carente.
O amor é hoje. Não vale cruzar os braços e aguardar que passe.
O amor é hoje. E não vale condenar o presente com medo de não saber de cor o futuro.

Nós, os Românticos, pensamos assim. E isso não me chateia nada.

domingo, 18 de janeiro de 2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Deus do céu, se me estás a ouvir...

...Por favor, faz-me surda ou amarra este homenzinho, de seu nome Ed Sheeran (o "Xaraaaaaan" como diz a minha querida Carina) bem longe, porque eu ANDO VICIADA NESTA MÚSICA. Amo de paixão, canto sozinha feita parva, sonho com o videoclip, danço com os miúdos da minha Sala (que já me dizem "olha a tua música Vânia!"). Deus do céu restabelece a minha sanidade mental, cola os meus pés à terra, e eu prometo umas quantas Avé Marias.
A voz deste cenourinha já é uma preciosidade, mas as letras são simplesmente viscerais.
E as rádios, que devem andar tão malucas quanto eu, passam o Thinking Out Loud vezes sem conta. Tenho cá para mim, que devem fazer um complô diário a gerir apostas, de quando o meu coração vai dar o berro.

When your legs don't work like they used to before
And I can't sweep you off of your feet
Will your mouth still remember the taste of my love
Will your eyes still smile from your cheeks
(Quando as tuas pernas não funcionarem como antigamente
e eu não puder te amar total e completamente,
será que a sua boca ainda se lembrará do gosto do meu amor?
será que os teus olhos ainda sorrirão através das tuas bochechas?
- Claro que siiiiiiiiiiiiiiiiiim Eddie!!!)

Darlin' I will be lovin' you
Till we're seventy
Baby my heart could still fall as hard
At twenty three
(E, querida, eu vou te amar até que tenhas 70 anos
E, baby, o meu coração ainda pode amar como se tivesse 23
- oh páaaaa, ninguém aguenta isto!!!)

I'm thinkin' bout how
People fall in love in mysterious ways
Maybe just the touch of a hand
Me, I fall in love with you every single day
I just wanna tell you I am
(E eu estou a pensar sobre como as pessoas se apaixonam de maneiras misteriosas
talvez seja tudo parte de um plano ou eu a apaixonar-me por ti todos os dias
E eu só quero te dizer agora
...)

So honey now
Take me into your lovin' arms
Kiss me under the light of a thousand stars
Place your head on my beating heart
I'm thinking out loud
Maybe we found love right where we are
(Então, querida, agora leva-me nos teus braços amorosos
Beija-me sob a luz de mil estrelas
Coloca a tua cabeça no meu coração a bater
E eu estou a pensar em voz alta
que talvez nós encontramos o amor onde estamos
- Coisa má bouaaaaa!)

When my hair's over grown and my memory fades
And the crowds don''t remember my name
When my hands don't play the strings the same way (mm)
I know you will still love me the same
Cause honey your soul
Could never grow old
It's evergreen
Baby your smile's forever in my mind and memory
(Quando minha cabeça não estiver boa e minhas memórias, apagadas e as pessoas ainda se lembrarem do meu nome,
quando minhas mãos não tocarem violão da mesma maneira...eu sei que vais amar-me do mesmo jeito
porque, meu amor, a tua alma nunca vai envelhecer...
Baby, o teu sorriso estará sempre na minha memória
- não há como resistir a isto...)

E o videoclip? Alguém já viu com olhos de ver aquele videoclip?
É bom que um dia me roubem para dançar assim, ou estão tramados comigo. Já sei que não sou podre de gira nem boa como a cachopa que ele escolheu, nem tão pouco pareço um cisne esvoaçante...mas se fecharem os olhinhos, a coisa dá-se.
Ai Ed Sheeran, Ed Sheeran, tu matas-me. E se um dia leres isto e não perceberes nada, só tens que entender que eu também estou aqui a pensar Out Loud, que um dia tu vais estar Dancing With Me, e eu vou fingir que és alto e espadaúdo e que estaremos a sonhar debaixo de Thousand Stars, get it? Fixe.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lado B

Apetecia-me tantas vezes ser transparente. Mesmo sabendo que todos temos camadas. Mesmo sabendo que até não é mau termos defesas em forma de guarda chuvas impermeáveis a tudo. Adorava que me lessem a mente. Que soubessem exactamente aquilo que me percorre. Que adivinhassem o meu querer, o meu mais secreto pedido. Que me conhecessem de cor a vontade. Que me olhassem nos olhos e imprimissem um livro inteiro. Que me folheassem antes de dormir e não a meio da tarde.
Apetecia-me que me virassem o mundo do avesso. Que me tirassem o tapete. Que me desconcertassem os dias, as horas e os minutos. Que me baralhassem. Que me roubassem o chão. Que me plantassem dúvidas e que nunca as tivessem de mim. Que me fizessem colar o coração ás costas. Que me fizessem sorrir ainda antes de abrirem a boca.
Apetecia-me o Lado B do mundo.
Num tempo incerto, mas certo dentro de mim.

(chiça, que isto hoje foi lamechas...)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Morto, morrido e matado.

Há uma dúvida que me assombra de vez em quando: Quando duas pessoas que se amam terminam, para onde é que vai o amor? E as que já não se amam? Onde é que fica o amor ou onde o deixaram acabar? Quem é que guarda ou destrói? Onde meteram elas o amor? E o desejo pelo desejo, quando é consumado, desaparece? Se desaparece, vai para onde?
Quando uma pessoa morre, deixa para trás tudo o que lhe pertenceu e cada um escolhe no que acreditar. Uns acreditam no céu, outros no inferno, outros acreditam que a pessoa está simplesmente debaixo da terra e outros não acreditam em absolutamente nada. Mas existe uma opção, existem vários cenários possíveis. No amor não. O amor acaba e deixa de se falar dele. O amor acaba e não há céu, nem inferno, nem falecido nem adormecido. É nada. Torna-se algo do qual não se fala, do qual se foge para não magoar. E passado uns anos vamos-lhe esquecendo o gosto e os traços, como esquecemos aquelas pessoas que conhecemos nos casamentos dos amigos dos nossos pais ou nas férias de Verão.
O amor quando separa as pessoas fica a pairar no ar. Ninguém o reclama, ninguém o olha. Fica nos perdidos e achados na vida, que ninguém sabe onde são. Numa espécie de limbo amoroso. E quando já não há amor...para onde foi ele?
Há quem mate o amor e fique para o ver partir. Há quem o vá matando com mentiras, com descuido, há quem o vá matando a discutir e com silêncio. Há quem o mate, e assim que o amor morrer, larga-lhe da mão e parte. Fica morto, morrido ou matado? Há tantas formas de desprogramar o coração.
Escolhemos um lugar para as coisas. Mas e o amor? Guardámo-lo onde? Cá dentro? E a paixão? Será uma irmã bastarda do amor. Fica escondidinha ou camuflada, só a servir de primeiro patamar, prestes a apimentar o amor que fica...cá dentro, talvez.
Se calhar é isso. Se calhar quando se termina com alguém apesar do amor, o amor fica cá dentro. Arrenda um quarto pequeno no nosso corpo. Ninguém passa recibos e ninguém toca à campainha. É um vizinho silencioso que não nos lembramos que existe até nos cruzarmos com ele no hall de entrada. Quando se termina apesar do amor,em alguns casos, o amor fica cá dentro. Apesar de custar. Quando duas pessoas terminam o amor fica onde estava. E os pés mudam de direcção e as almofadas também. Mas em algumas histórias ele continua lá. À espera que o ressuscitem, ou o matem de vez naquele lugar das coisas incertas das pessoas que quase foram felizes. Apesar de não estar certo, apesar de não fazer sentido.
E as memórias embriagadas de saudade? Onde ficam elas, quando não podem aparecer? Porque se aparecerem, vão doer. Vão fazer uma espécie de buraquinho a sangue frio. De uma dança ao ar livre, de uma noite perfeita que sabemos que não pode ser igual porque já passou. Pode ser repetida, mas nunca igual. O que fazemos a essa vontade de estar? Fica morta, morrido ou matada?
Vá, digam-me.

(texto adaptado - "Para onde vai o amor?" de Carolina Deslandes)

sábado, 10 de janeiro de 2015

Só uma coisinha...

Estou chocada sim, com o que se passa em Paris...mas não menos admirada por de repente aparecerem Charlies em todo o lado, precisamente num país em que nem os "capitães de Abril" deixaram falar e onde um jornal satírico duraria uma semana, caso se levantasse contra a igreja ou política. Um país onde de repente todos os jornais são Charlies e eu desconhecia. Sei que os há e ainda bem! Mas os que não são...não se façam passar por tal só porque fica bem. Sou a favor do humor sim, aprendi a rir-me de mim própria e a comédia não deveria matar. Vá lá, que não tenho jeito para desenhar nem nunca tive!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bora lá!!!!

E para este ano que aí vem...

"Saudinha companheira,
alegria na carteira,
felicidade conjugal,
desejo animal

alegria no trabalho,
caloteiros no caralho,
páscoa, carnaval,
o verão e o natal

suor na ginástica,
na boca pastilha elástica,
minha senhora vá pela estrada
e tenha cuidado com o ramal

cabelos na boca,
de felicidade a voz rouca,
amor e carinho,
e sempre, sempre, mais um bocadinho."


by Pedro Luzindro


Os melhores desejos que vi e achei que todos iriam entender :)

Façam boas escolhas, errem mil vezes e errem melhor ainda se assim for o caso!
Façam do frio algo que não impeça uma boa companhia, um beijo quente ou um abraço inesperado.
Dancem a conduzir, subam a música no carro, entornem copos com alegria, digam Olá ou Até um dia.
Mas...façam acontecer!!!

Bom ano silenciosos**


domingo, 21 de dezembro de 2014

As mortes, como forma de vida...Feliz Natal :)

Pensei em escrever algo fofinho e queridinho, quase como os discursos das Misses segundos antes da sua eleição.
Mas acho que o importante é transmitirmos algo que perdure no pensamento e faça eco cá dentro. Algo que faça sentido.
E isto, do Pedro Chagas Freitas, fez sentido em mim:

"A vida vale pelos momentos em que foges dela. Pelos momentos em que consegues, durante alguns segundos ou alguns minutos ou algumas horas, evadir-te dela – para um limbo onde não estás morto mas onde não deixas de estar morto. Morto de prazer, morto de adrenalina, morto de medo, morto de ansiedade.
Morto de vida.
O melhor da vida são as mortes que ela te oferece.
Se não morreste nenhuma vez: então estás morto."


E porque morro de medo tantas vezes, morro de dúvidas de fazer ou não o certo...decidi que mesmo assim, deixaria aqui a Mãe Natal que vos escreve.
Uma partilha especial, numa época diferente: Euzinha, como quase nunca o faço.


Boas Festas e "Nataliem-se" por aí ;)

sábado, 20 de dezembro de 2014

Paneleirices

Há coisas difíceis de perceber. Mesmo! Eu que até nem sou de me chocar com nada, aprecio tudo o que saia da caixa, tenho sérias dificuldades em adaptar-me a algumas ideias estranhas que vão aparecendo por aí. Acho que no fundo nem se trata de adaptação ou não, é talvez falta de necessidade para o que anda a saltitar por aí, só porque é Natal.
Por exemplo, ontem li esta notícia:

"Aproveitando a época das festividades, que tal transformar o seu cocó em algo com mais brilho? Acredita, é para isso que existe a “GlitterPills“. A marca tem um “menu” com 30 tipos de pílulas preenchidas com diferentes cores que vão desde o preto elegante ao dourado, passando por rosa e azul. No entanto, a loja online que vende os produtos alerta para o consumo das pílulas, que são destinadas apenas para fins de decoração, ideal para quem quer presentear os seus amigos com algo inusitado."


Cocó que brilha, portanto. Que lindo. Como se a merda deixasse de ser merda, porque lhe injectam uma espécie de glamour. A sério que há pessoas que ponderam gastar dinheiro nisto?
Se a moda pega, pensem que cada vez que os gases apertam, há uma espécie de brisa de purpurinas a sair (estou a tentar fantasiar a coisa e adornar com palavras bonitas) pelo rabo.
Ou então, podiam pensar em reestruturar todo o conceito da Color Run: sem tintas, só bufinhas coloridas.
Isto na minha terra não se chama glamour, chamam-se de
P-A-N-E-L-E-I-R-I-C-E-S.

Como hoje de manhã por exemplo: vi um croissant a ser servido de faca e garfo.
Fiquei durante longos segundos a apreciar a cena e a pensar "Houve algum UpGrade de boas maneiras ou sou mesmo eu que sou labrega?!"
Bom senso, haja bom senso. E esse sim, até pode ser servido com toda a etiqueta!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Eu JURO que não andei a beber...

...mas sou só eu que vejo semelhanças nestes dois?!
Oh Jared filho, eu que gostava tanto de ti!


Vou tentar não sonhar com isto. Prometo.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Já.

Somos bagagem. Pura bagagem. Carregámos o que JÁ fomos e JÁ fizemos. Somos o que fomos e fizemos acontecer.

Já corri até (quase) deixar de respirar.
Já apanhei um susto no mar, fui salva pelo meu pai.
Já fiz uma tatuagem e já pensei numa segunda.
Já acreditei que podia conquistar o Mundo.
Já caí à frente de toda a gente.
Já corei com um elogio.
Já perdi quem gostava.
Já fui a única a rir, numa sala enorme.
Já gaguejei de insegurança.
Já andei na Roda Gigante de Londres.
Já tirei fotos com todos os bonecos de cera do Madame Tussaud.
Já fui pedida em casamento. Casei.
Já disse NÃO quando quis dizer sim.
Já ri até doer a barriga.
Já chorei até adormecer.
Já me controlei para não dizer um "ai".
Já gostei de polvo.
Já fiz um traumatismo craniano.
Já bati palmas sozinha.
Já não passo sem lentes de contacto.
Já comi chocolate ás colheres.
Já encontrei quem eu achava não existir.
Já reencontrei quem sempre quis.
Já senti borboletas na barriga.
Já fiz quase a Península Ibérica toda de carro.
Já acampei.
Já gritei histericamente num concerto.
Já dancei à chuva.
Já me perdi, sem GPS e sem bateria no tlm, quase sem gasolina e sem ponta de sangue!
Já fiz acupunctura.
Já esfolei o joelho.
Já ouvi o que nunca pensei.
Já disse o que nem eu sabia que sentia.
Já comi sopa de barbatana de tubarão.
Já fiz Sku na neve, não Ski.
Já estive nas Ramblas de Barcelona.
Já pus a sopa no prato raso e já pus massa no prato da sopa.
Já reinventei o conceito de saudade, vezes sem conta.
Já fui ao cinema sozinha.
Já me dedicaram uma música a meio de um concerto, com sala cheia.
Já li duas vezes o mesmo livro.
Já tentei dançar Kizomba.
Já mudei de cidade.
Já rebentei um saco de farinha, sem querer.
Já apanhei uma molha em Madrid. Daquelas até ás cuecas, quase!
Já digo menos palavrões a conduzir.
Já andei na maior montanha russa da Europa e já jurei que não repetia.
Já me consigo virar do avesso no Teatro.
Já me apaixonei à primeira vista.
Já me apareceram em casa com o pequeno almoço.
Já perdi um avião.
Já passei 12 horas num aeroporto.
Já fui turista na minha própria cidade.
Já comi caracóis (adoroooo).
Já fui atrás de um sonho.
Já abri mão de muita coisa.
Já não passo sem isto.

Gosto de analisar o que fiz. Perceber aquilo que sou por fora de mim. Gosto de saber aquilo que quem está do outro lado entende. Gosto de compreender aquilo que sou do lado de fora. Aquela parte que, por vezes, tentamos não ver. Até mesmo o quanto as nossas atitudes afectam o outro. O quanto importunamos. Naquilo que agradamos. Gosto de saber o bom. Preciso de saber o mau.

Gosto de me saber pelos vossos olhos. Pelo que me lêem. Gosto de saber o que vos sou. O que vos pareço.
Dizem-me?








quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Somos da nossa Infância, como somos do nosso país...

...já dizia Antoine de Saint-Exupèry.
É uma identidade, um ADN que feliz ou infelizmente, está cá. Faz parte. Somos o que fomos. O que nos permitiram ser.
Quem não teve, pelo menos uma vez na vida, um olhar inocente sobre aquilo que hoje conseguimos complicar?
Quem não roubou o bâton à mãe e depois limpou a boca à toalha das mãos? Quem nunca se virou de frente para o chuveiro, a tentar apanhar a água com a língua? Quem nunca pediu um pão sem nada?
Quem não se lembra de colar os olhos no Tom Sawyer e da liberdade de andarmos descalços? Dos anúncios da OLÁ e da Coca Cola, que faziam sonhar com o que estava fora da porta?
De quando dávamos valor a um guarda chuva de chocolate e de como o mundo acabava quando o Vitinho nos mandava dormir.
Tantas vezes esfolamos. Tantas vezes nem ensaiamos entrar mar adentro. Era quem levasse tudo à frente!
Quem nunca foi mil vezes mais corajoso do que aquilo que é hoje em dia? Maldita consciência, que nos faz hesitar e perder tanta coisa.
Tive uma infância cheia, feliz. Sei bem o que é feirar no Senhor de Matosinhos, andar no Autocarro Louco com a minha mãe, até chorar de rir "E vaaaaai mais uma voltinhaaaaaaaa" e era a loucura. Ainda sei como cheiravam os dias. Os mesmos em que brincava na rua, à macaca ou ao elástico. E também sei a forma despreocupada em como não era boa em nada.
Fui menina das alianças por acaso, aprendi as horas sozinha, separava todos os fios que vinham na sopa mal passada...mas também sei a que sabe o algodão doce, as belas das farturas e sei o que é ter nas pernas as caminhadas de uma noite de São João.
Sei como é gritar "Goooooooooolooooooooooooooo" num daqueles momentos de tensão clubística.
Sei como é participar numa cascata e andar a pedir "esmolinhas" para o Santo António, mesmo quando este já tinha passado.
E o que eu sempre dancei em bailaricos!!! Aiiiiii como eu hoje ainda me perco com isso :)
Lembro-me da primeira vez que acreditei em mim e sem me aperceber já andava numa bicicleta sem rodinhas.
Coleccionei os cromos TOU do Bollycao, vibrei com os cds do Fido Dido, numa época em que o Twix se chamava Raider.

Na infância, o nosso olhar sobre as coisas é sem filtro, mas a esperança é muito maior. O que dizemos pode ser desmedido e da boca para fora, mas o que sentimos e a forma como gostamos, é mais real. Fresca como uma pastilha de mentol.





terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Os amigos são como os soutiens: perto do coração e sempre lá para apoiar!

Sou filha única e desde cedo que tive de me desenrascar socialmente, algo no qual nunca tive dificuldade. Somos no fundo, fruto do que cultivamos, porque crescemos com o que recebemos disso.
Os primos são os nossos primeiros amigos mas depressa vamos percebendo que há todo um mundo de companheirismo para descobrir.
Tive amigos que nunca mais vi. Tive amigos dos quais só me recordo da cara (na primeira infância). Amigos que se diziam amigos quando lhes convinha. Amigos que se achavam amigos só porque sim, sem mexerem uma palha. Amigos que ao primeiro sinal de conflito ou desinteresse, se puseram logo a monte...até hoje. Amigos de ocasião. Amigos só "quando dá jeito". Amigos "do alheio".
Tive pessoas que aspiraram a ser amigos, mas que não tinham pedalada nem para me arrancarem um sorriso. Há os típicos conhecidos, colegas e amigos dos amigos.
Todos nós temos pessoas que entram e saem da nossa vida. Tal e qual as peças de roupa: todos temos aquelas peças de estimação, que duram há anos. Temos também as que nos chegam por outras mãos. Outras que precisam de serem renovadas e outras tantas que só estão a precisar de uma boa lavagem.
Depois há também os amigos invisíveis, que fazem parte da nossa vida, que estão lá para tudo mas não andam a tocar um sininho para nos cobrarem a atenção.
Ando a pensar nisto desde o fim de semana e hoje uma amiga minha de longa data, rematou tudo com a frase que dá título a este texto.
Importante mesmo, é o calor que nos chega e o conforto que essas "peças" nos dão.

E eu desejo ser daquelas peças de vestuário que mesmo dobrada ou na prateleira, sirva para vestir a alma de alguém.
Dou uma boleia a um conhecido, salvo o dia de uma colega, viro o mundo por um amigo.
E podia dar tantos exemplos das maluqueiras que já fiz...do que já me ri e fiz rir. Do que disse que ninguém contava e do que não disse...que é quase nada.
E pronto, hoje deu-me para isto.


sábado, 6 de dezembro de 2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Escrever.

Escrevo desde sempre, no meu sempre e sinto que sempre o farei. Um pouco como a dança...danço com qualquer música, mesmo não sabendo o que estou a fazer. Abano-me, bato o pé, levanto os braços e anca não pára. Nunca preciso de motivos, sei apenas que é automático em mim.
E assim é a escrita. Não sei o que faço, se o faço bem ou não...está em mim e pronto.
Escrever é chorar palavras, é um espirro consumado do que nem ás paredes confesso.
É uma declaração universal do direito da alma, dos dedos e de todos os pensamentos que ninguém lê nas entrelinhas.
Ler pode fazer-nos viajar...mas escrever dá anos de vida. É um beijo de papel, um abraço que não nos larga, um arrepio formatado com letras.
Escrever é talvez, a melhor maneira de me dar a conhecer. De me fazer entender, para quem não mostro o olhar ou quem nunca ouviu o timbre da minha voz.
Escrever é crescer de dentro para fora, é desdobrar os cruzamentos e as Travessas de um mundo que só nós vemos. É um pensar em voz baixa.
É uma vida que não temos mas que sabemos de cor.
É um tempo que não passa.

É um silêncio cor de rosa.
Um prazer azul celeste.

E um suspiro só meu.


domingo, 30 de novembro de 2014

Um mês.

Façam marcha atrás. Ponham a cabeça em looping. Desdobrem esses lençóis mentais e recuem um ano.
Precisamente um ano, nem mais nem menos.
Alguém se lembra do que desejou e projectou para 2014? Do que quiseram alcançar com a mesma força com que mordiam o lábio?
Das pessoas que não conheciam, das viagens que não tinham acontecido? Dos beijos ainda quentes, dos abraços que não se tinham desmanchado e aqueles que estavam prometidos? Alguém se lembra porque tinham chorado com o riso e porque tinham deixado de rir?
Temos só mais um mês para fechar 2014 na gaveta dos "Ainda bem que cá chegamos".
E que ano foi 2014...que ano!
Acho que foi o ano mais intermitente de sempre. Intermitente como aquelas luzes que ás vezes nos cegam, em que temos de decidir se as encaramos de vez ou se fechamos os olhos para não ferirem mais a vista.
Eu decidi que era o ano da verdade. Apaguei algumas luzes, mudei algumas lâmpadas, conheci outros focos de luz e renovei a minha energia.
Chorei. Calei-me também. Engoli em seco. Tive medo. Virei a mesa. Fui. Ri. Percebi. Aceitei. Perdoei. Sonhei. Arrisquei. Ouvi. Ouvi-me. Reconstruí. Renovei-me. Falhei. Acertei também.

E tenho precisamente mais um mês. Temos todos mais um mês. Igual a tantos que já passamos.
E se este conseguir ser ainda melhor?
E se este fizer com que haja aquele arrepio que traz a certeza do "É desta!" ou aquele sorriso do "Finalmente". O brinde do "Caramba, mereci isto!".
Vá, cabeça para cima, respirem fundo.
E venha ele.