Já cá não venho há uma semana. Já cá não repouso o meu corpo há 8 dias seguidos. Estive a tentar perceber o que é isso de nos sentirmos em casa ou em família. Estive a receber mais do que aquilo que achei que dei. Estive a aprender ou apenas a lembrar-me que estar com quem gosto é simplesmente ir a um lugar dentro de nós.
Estar com quem nos quer bem, haja o que houver, faça ou ande eu por onde andar, é algo precioso. É um gostar daqui até ao lado mais escuro da lua. Com todo o brilho do sol. Com o brilho de todas as estrelas juntas. Daquele céu que me viu fazer 33 anos, no passado dia 11. Com a força da gravidade aumentada. Por todos os cantos do céu. Com Lisboa lá ao fundo, a beijar-me em silêncio.
Acho que é assim que eu sou feita, de uma uma forma aluada. Mas inteira, genuína. Sem filtros. Rio-me de forma estridente ou parva, mas rio-me á séria. Porque não travo e porque rir é tão forte e tão verdade como chorar.
E quem me conhece, só pode esperar isso.
Durante esta semana de ausência, tive demonstrações de afectos que mesmo que eu viva 100 anos, não irei esquecer.
Trocar turnos para poder estar lá, onde é preciso. Combinarem boleias em cima da hora, em dias cheios de cansaço e mesmo assim esticarem a corda para poderem lá estar, onde é preciso. Um chocolate que chega na altura certa. O chá que não falha.
Um flor quase murcha, guardada num bolso de umas calças de ganga, que era "para a Mânia". Saber que "não estás velha Vânia, estás tu", não tem preço nem nunca terá.
Aquela mão em nós, as selfies desmedidas e inusitadas. Perceber que afinal consigo beber álcool, tenho é de ser educada para isso. Rir-me de mim própria, convencer-me que o sono é a única coisa que não me deixa dizer "Coca Cola".
Saber que passe os anos que passar, não importa o sítio onde estamos. Importa sim, o amor que nos espera. O telefone que toca à meia noite. Pequenos almoços flashes, almoços com direito a brinde porque um brinde dura só o tempo de um sorriso, certo? Amigos que nos roubam e nos mimam como só eles sabem fazer.
Família que se organiza com bolos, bolinhos e bolões, que fazem trinta por uma linha só para que o coração permaneça quente por mais um pouco.
E permanece.
Obrigada, infinitamente obrigada, por me mostrarem que também se ama no improviso e que há sempre alguém que me espera.
Entrei nos 33 da melhor forma possível e serei eternamente grata por isso.
Porque Família é um conceito onde cabe muita gente. Família é um lugar dentro de nós. E chega.
domingo, 15 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
Só o Amor.
Só Amor cura. Só o amor vale a pena todas as lágrimas, todas as noites mal dormidas, todas as quedas. Só amor nos espera. Só o Amor nos vira do avesso, nos mostra o segundo infinito...porque existe sempre.
Só o Amor nos faz engolir em seco. Só o amor nos encosta à parede. Nos faz atravessar pontes. Só o Amor acorda em sobressalto. Só o Amor nos adormece em quente.
Desenganem-se os que acham que o dinheiro e o poder comandam o mundo. Deixai-os pensar que sim. Que o Amor é piroso e desnecessário, que não enche bolsos nem depósitos de gasolina. Não faz truques de magia. Pois não, não faz. Porque não é preciso.
Só o Amor magoa em grande. Não magoa mais ou menos, magoa à séria. Porque tudo o que vale a pena e é forte, tem dois lados. Magoa pelo que foi, pelo que nunca chegou a ser e pelo que ainda está longe. Só o Amor nos faz pensar duas vezes. Só o Amor nos arruma a vida. Em prateleiras sem rótulos e desordenadas. Com roupas misturadas e a verem-se.
Só o Amor é a soma dos medos. Só o Amor amassa tudo ao mesmo tempo. Só o Amor sabe o quanto somos parvos. Só o Amor nos liberta. Só ele nos deixa ser livres. Só o Amor estraga travões. Não os arranca...tira-lhes força.
Só o Amor é capaz. Só o Amor faz errar uma, duas vezes. Errar ainda melhor que a última vez.
Só o Amor.
Só o Amor nos faz engolir em seco. Só o amor nos encosta à parede. Nos faz atravessar pontes. Só o Amor acorda em sobressalto. Só o Amor nos adormece em quente.
Desenganem-se os que acham que o dinheiro e o poder comandam o mundo. Deixai-os pensar que sim. Que o Amor é piroso e desnecessário, que não enche bolsos nem depósitos de gasolina. Não faz truques de magia. Pois não, não faz. Porque não é preciso.
Só o Amor magoa em grande. Não magoa mais ou menos, magoa à séria. Porque tudo o que vale a pena e é forte, tem dois lados. Magoa pelo que foi, pelo que nunca chegou a ser e pelo que ainda está longe. Só o Amor nos faz pensar duas vezes. Só o Amor nos arruma a vida. Em prateleiras sem rótulos e desordenadas. Com roupas misturadas e a verem-se.
Só o Amor é a soma dos medos. Só o Amor amassa tudo ao mesmo tempo. Só o Amor sabe o quanto somos parvos. Só o Amor nos liberta. Só ele nos deixa ser livres. Só o Amor estraga travões. Não os arranca...tira-lhes força.
Só o Amor é capaz. Só o Amor faz errar uma, duas vezes. Errar ainda melhor que a última vez.
Só o Amor.
sexta-feira, 6 de março de 2015
quarta-feira, 4 de março de 2015
Lua Cheia.
Numa altura em que me sinto mais carregada de tudo, pessoal e profissionalmente, percebo que felizmente...ainda somos para os outros, aquilo que pretendemos ser. Ainda somos olhados da forma que desejamos e que tantas vezes achamos impossivel de mostrar.
Num dia pouco famoso para mim, numa fase em que se avizinha muito empenho profissional e que me preparo para mais um aniversário longe do meu habitat natural, percebi que o amor que colocamos nas coisas e o esforço pessoal com que derrotamos, muitas vezes,um leão por dia...pode ser tudo para alguém.
Durante mais uma dia de trabalho, passou-se isto:
"Maria, o que é que estás a dizer que a Vânia é?!"
- "Uma Lua que brilha!"
"Porquê uma Lua?"
- "Porque os teus olhos estão sempre a brilhar".
Escusado será dizer que ganhei o dia.
Mais tarde, perguntaram-me que Lua poderia eu ser: Quarto Crescente, Minguante, Nova, Cheia... a ser mesmo uma Lua, só poderia ser Cheia. Porque tal como ela, percebi que a vontade de ser sempre melhor que ontem, se reflecte por inteiro na Terra à volta.
Num dia pouco famoso para mim, numa fase em que se avizinha muito empenho profissional e que me preparo para mais um aniversário longe do meu habitat natural, percebi que o amor que colocamos nas coisas e o esforço pessoal com que derrotamos, muitas vezes,um leão por dia...pode ser tudo para alguém.
Durante mais uma dia de trabalho, passou-se isto:
"Maria, o que é que estás a dizer que a Vânia é?!"
- "Uma Lua que brilha!"
"Porquê uma Lua?"
- "Porque os teus olhos estão sempre a brilhar".
Escusado será dizer que ganhei o dia.
Mais tarde, perguntaram-me que Lua poderia eu ser: Quarto Crescente, Minguante, Nova, Cheia... a ser mesmo uma Lua, só poderia ser Cheia. Porque tal como ela, percebi que a vontade de ser sempre melhor que ontem, se reflecte por inteiro na Terra à volta.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Verbo Ir.
Nunca soube o que era "esperar que acontecesse" algo. Não sei lidar com a sorte por si só. Ficar sentadinha a aguardar que algo pouse no colo ou haja uma palmadinha nas costas. Cruzar a perna com calma ou simplesmente virar-me para o lado e dormir.
Sou o abraço escondido e o fazer porque vale a pena e não porque me espera algo depois do sol posto.
Sou o beijo de fugida, a saudade que morre todos os dias porque prefiro estar lá, onde devo estar. Sou a mão que abre e a que encosta no sossego de um dia cheio. Sempre fiz por isso, talvez por egoísmo. Por achar que ficaria melhor se gastasse os cartuchos todos. Sou o " é desta vez" e não o "já se vê".
Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar as minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu...mesmo que me espalhe ao comprido. Mesmo que bata com a cara na porta.
Sou o perfume a caminho, o " estou a ir" ou o "já saí".
E faço-o porque gosto e quando gosto. Quando gosto prefiro esquecer e avançar. Quando gosto enterro e sigo. E sem ressentimentos ou mágoas guardadas.
Quando gosto só sei gostar sempre. Só sei gostar lealmente. Incondicionalmente. Nos dias bons e maus. Quando chove ou quando o céu tem um ar de vai-não-vai.
Quando gosto. Gosto sempre.
Sou o verbo Ir, sem bilhete de dia certo.
Mas sei que gostava de ser o verbo Ficar. O que descansa e sossega naquele ombro. O que não tem prazo e o que fabrica o próprio tempo. O que não tem estrada pela frente...tem só um colo, uma música, um sketch que faz doer a barriga de tanto rir, um Twix e um sofá.
E era só isto.
Sou o abraço escondido e o fazer porque vale a pena e não porque me espera algo depois do sol posto.
Sou o beijo de fugida, a saudade que morre todos os dias porque prefiro estar lá, onde devo estar. Sou a mão que abre e a que encosta no sossego de um dia cheio. Sempre fiz por isso, talvez por egoísmo. Por achar que ficaria melhor se gastasse os cartuchos todos. Sou o " é desta vez" e não o "já se vê".
Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar as minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu...mesmo que me espalhe ao comprido. Mesmo que bata com a cara na porta.
Sou o perfume a caminho, o " estou a ir" ou o "já saí".
E faço-o porque gosto e quando gosto. Quando gosto prefiro esquecer e avançar. Quando gosto enterro e sigo. E sem ressentimentos ou mágoas guardadas.
Quando gosto só sei gostar sempre. Só sei gostar lealmente. Incondicionalmente. Nos dias bons e maus. Quando chove ou quando o céu tem um ar de vai-não-vai.
Quando gosto. Gosto sempre.
Sou o verbo Ir, sem bilhete de dia certo.
Mas sei que gostava de ser o verbo Ficar. O que descansa e sossega naquele ombro. O que não tem prazo e o que fabrica o próprio tempo. O que não tem estrada pela frente...tem só um colo, uma música, um sketch que faz doer a barriga de tanto rir, um Twix e um sofá.
E era só isto.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Viva.
Um dia depois de andarem os Valentins todos à solta, eu Vânia me confesso, que já achei este dia tão amoroso como um urso de peluche de trazer por casa. Eu suspirava e arranjava mil motivos para fazer diferente do resto do ano. Vibrava sozinha, contagiava quem estivesse comigo e quem ganhava era eu, por não haver coragem de me dizerem que não.
Percebi com o tempo e à minha própria custa, que não deveria esperar por nenhum dia em especial. Que ficaria tão mais inteira, se houvesse um beijo todos os dias e sorrisos todas as noites. Percebi que o meu cupido era movido a sonhos, e que no fim de contas a tendência era estatelar-se contra uma parede, fumar umas ganzas e enfiar a seta no chato mais próximo que o chamasse.
Percebi que Valentim rima com Trampolim. Chinfrim. Prelimpimpim. Tudo que nos faz dar um pulo para o que vem a seguir. Tudo o que nos faz querer mudar a página. E mudar a página pode ser tão e somente isto: deixar sentir. Go with the flow.
Apesar de haver todo um Marketing evasivo deste dia, quem gosta, gosta sempre. E quem gosta assim-assim, nem com as 50 Sombras de Grey lá vai. Só se for com uma espécie de remake em formato "50 posições à Sombra" (não resisti à piada ordinarona, sorry!)
Viva o romance sim senhor. Viva a líbido em alta, sim senhor. Viva os fetiches todos, pois com certeza que sim. Viva o arrepio na espinha com uma cena de elevador ou um coração esmagadinho com uma sala de tortura...mas viva ainda mais ao que podemos reinventar entre quatro paredes.
Viva ao agarrar o braço com aquela forcinha especial. Viva os beijos que nos sugam. Viva o olhar que nos mata.
Viva a vontade do outro. A vontade de ter vontade.
Viva o morrer de desejo. O parar o tempo. O morder o lábio.
Viva.
Percebi com o tempo e à minha própria custa, que não deveria esperar por nenhum dia em especial. Que ficaria tão mais inteira, se houvesse um beijo todos os dias e sorrisos todas as noites. Percebi que o meu cupido era movido a sonhos, e que no fim de contas a tendência era estatelar-se contra uma parede, fumar umas ganzas e enfiar a seta no chato mais próximo que o chamasse.
Percebi que Valentim rima com Trampolim. Chinfrim. Prelimpimpim. Tudo que nos faz dar um pulo para o que vem a seguir. Tudo o que nos faz querer mudar a página. E mudar a página pode ser tão e somente isto: deixar sentir. Go with the flow.
Apesar de haver todo um Marketing evasivo deste dia, quem gosta, gosta sempre. E quem gosta assim-assim, nem com as 50 Sombras de Grey lá vai. Só se for com uma espécie de remake em formato "50 posições à Sombra" (não resisti à piada ordinarona, sorry!)
Viva o romance sim senhor. Viva a líbido em alta, sim senhor. Viva os fetiches todos, pois com certeza que sim. Viva o arrepio na espinha com uma cena de elevador ou um coração esmagadinho com uma sala de tortura...mas viva ainda mais ao que podemos reinventar entre quatro paredes.
Viva ao agarrar o braço com aquela forcinha especial. Viva os beijos que nos sugam. Viva o olhar que nos mata.
Viva a vontade do outro. A vontade de ter vontade.
Viva o morrer de desejo. O parar o tempo. O morder o lábio.
Viva.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Surpresas.
Gosto de surpresas. De as fazer, de as proporcionar. Gosto de mudar a direcção à última da hora, de encontrar um abraço perdido debaixo do banco do carro e ter de o ir entregar a alguém. Gosto de ir. Gosto de lá chegar, seja onde for. Gosto que me esperem, à janela ou na porta de entrada. Gosto de não reparar em nada e saber tudo o que há de bom à volta.
Gosto de surpresas. As da vida. Gosto que me provem que o improvável acontece, que para um maluco, maluca e meia...para uma gargalhada, dez em resposta. Gosto do "quentinho" que nos espera sempre, mesmo que pela primeira vez. Gosto de chá em canecas grandes, do tamanho da vontade.
Gosto de não me conseguir cansar, estando cansada e surpreender-me com isso.
Gosto que me façam pensar em voz alta, e me escutem com todas as vozes.
Gosto de surpresas, já disse não já? Não surpresas a mim. Aqueles momentos que nunca ninguém diria, aquela piada que toda a gente já sabe mas que gosto de contar na mesma. Gosto de saber que a meio da frase já me posso desmanchar a rir porque já me perceberam e não preciso de me alongar. Gosto que o frio se quebre com soluções rápidas. Gosto que me façam ver do avesso. Que se nem todos os dias forem especiais, não há mal nenhum. E eu acho isso, já especial...não tenho remédio. Gosto de diminuir as desculpas, aumentar os obrigadas.
E gosto de pessoas que vêm com tudo. Que se dão sem medos. Mesmo com travões pelo meio. Não faz mal, está lá. Que não estão à espera de receber para saber se podem retribuir.
Gosto de pessoas que, hoje, sabem o que querem. Que provavelmente sabem o que querem amanhã. E no dia a seguir. Que não receiam por antecipação. Que vão ficando para ver o que vem. Sem precauções e sem barreiras. Gosto que me ensinem que ser previsivel é bom.
E sim, agora vou voltar a dizer que gosto de surpresas. Já sabiam?
Gosto de surpresas. As da vida. Gosto que me provem que o improvável acontece, que para um maluco, maluca e meia...para uma gargalhada, dez em resposta. Gosto do "quentinho" que nos espera sempre, mesmo que pela primeira vez. Gosto de chá em canecas grandes, do tamanho da vontade.
Gosto de não me conseguir cansar, estando cansada e surpreender-me com isso.
Gosto que me façam pensar em voz alta, e me escutem com todas as vozes.
Gosto de surpresas, já disse não já? Não surpresas a mim. Aqueles momentos que nunca ninguém diria, aquela piada que toda a gente já sabe mas que gosto de contar na mesma. Gosto de saber que a meio da frase já me posso desmanchar a rir porque já me perceberam e não preciso de me alongar. Gosto que o frio se quebre com soluções rápidas. Gosto que me façam ver do avesso. Que se nem todos os dias forem especiais, não há mal nenhum. E eu acho isso, já especial...não tenho remédio. Gosto de diminuir as desculpas, aumentar os obrigadas.
E gosto de pessoas que vêm com tudo. Que se dão sem medos. Mesmo com travões pelo meio. Não faz mal, está lá. Que não estão à espera de receber para saber se podem retribuir.
Gosto de pessoas que, hoje, sabem o que querem. Que provavelmente sabem o que querem amanhã. E no dia a seguir. Que não receiam por antecipação. Que vão ficando para ver o que vem. Sem precauções e sem barreiras. Gosto que me ensinem que ser previsivel é bom.
E sim, agora vou voltar a dizer que gosto de surpresas. Já sabiam?
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