domingo, 15 de março de 2015

Família.

Já cá não venho há uma semana. Já cá não repouso o meu corpo há 8 dias seguidos. Estive a tentar perceber o que é isso de nos sentirmos em casa ou em família. Estive a receber mais do que aquilo que achei que dei. Estive a aprender ou apenas a lembrar-me que estar com quem gosto é simplesmente ir a um lugar dentro de nós.
Estar com quem nos quer bem, haja o que houver, faça ou ande eu por onde andar, é algo precioso. É um gostar daqui até ao lado mais escuro da lua. Com todo o brilho do sol. Com o brilho de todas as estrelas juntas. Daquele céu que me viu fazer 33 anos, no passado dia 11. Com a força da gravidade aumentada. Por todos os cantos do céu. Com Lisboa lá ao fundo, a beijar-me em silêncio.
Acho que é assim que eu sou feita, de uma uma forma aluada. Mas inteira, genuína. Sem filtros. Rio-me de forma estridente ou parva, mas rio-me á séria. Porque não travo e porque rir é tão forte e tão verdade como chorar.
E quem me conhece, só pode esperar isso.
Durante esta semana de ausência, tive demonstrações de afectos que mesmo que eu viva 100 anos, não irei esquecer.
Trocar turnos para poder estar lá, onde é preciso. Combinarem boleias em cima da hora, em dias cheios de cansaço e mesmo assim esticarem a corda para poderem lá estar, onde é preciso. Um chocolate que chega na altura certa. O chá que não falha.
Um flor quase murcha, guardada num bolso de umas calças de ganga, que era "para a Mânia". Saber que "não estás velha Vânia, estás tu", não tem preço nem nunca terá.
Aquela mão em nós, as selfies desmedidas e inusitadas. Perceber que afinal consigo beber álcool, tenho é de ser educada para isso. Rir-me de mim própria, convencer-me que o sono é a única coisa que não me deixa dizer "Coca Cola".
Saber que passe os anos que passar, não importa o sítio onde estamos. Importa sim, o amor que nos espera. O telefone que toca à meia noite. Pequenos almoços flashes, almoços com direito a brinde porque um brinde dura só o tempo de um sorriso, certo? Amigos que nos roubam e nos mimam como só eles sabem fazer.
Família que se organiza com bolos, bolinhos e bolões, que fazem trinta por uma linha só para que o coração permaneça quente por mais um pouco.
E permanece.

Obrigada, infinitamente obrigada, por me mostrarem que também se ama no improviso e que há sempre alguém que me espera.
Entrei nos 33 da melhor forma possível e serei eternamente grata por isso.

Porque Família é um conceito onde cabe muita gente. Família é um lugar dentro de nós. E chega.

14 comentários:

  1. Ah! Já tinha saudades, sabias? Um texto de encher o coração de uma alma imensa! Um texto de aquecer o coração!
    Muitos parabéns, querida amiga! :)
    Venham mais dias especiais!
    Beijinhos

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  2. Há a família de quem somos, e há a família que queremos ter. As duas completam-se. Viver sem elas é um vazio medonho, e com elas enfrentamos o mundo e o futuro. Futuro que pode chegar devagar, mas que chegue com alegria e nos traga felicidade!
    Beijos e aquele abraço apertadinho

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    1. Obrigada pai por todos os abraços apertadinhos e por me ensinares o que realmente importa!

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  3. Um post espetacular, uma maneira fantástica de ver a vida e de a viver! Gostei muito do que li e também da maneira como está escrito. Sabedoria é o que está mais presente neste texto, experiencia também... É importante dar valor ao que realmente é importante! Boa!!! Vou seguir!! Eu, depois de uns tempos complicados, voltei a criar um novo blog, visite o meu, se gostar siga também! Obrigada pelas palavras! Uma beijoca

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    1. Bem vinda Cristina e obrigada pelas palavras...sente-se na Sala e desfrute!

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  4. É bom saber-te aí! ;)
    Boas leituras! :)

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  5. Sou um desnaturado :$ mas não tenho lido blogs :$
    Parabéns miúda :)
    Beijinho grande

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    1. Não és nada, és Família também e em família não há cobranças***

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  6. Uau! Mto bom! Bjs Patrícia Galego

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    1. Atrasados não...vêm a correr e o com coração pesado de tanta coisa boa, por isso nem sempre chegam a horas ;)
      beijinhos***

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