quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Para hoje.

Estou de volta ao meu Porto e a viagem para cima, foi tranquila embora demorada. Vim de carro e fui parando algumas vezes.
Uma das vezes porque a meio da A1, vi alguns condutores a encostarem à berma com os 4 piscas e fazerem gestos para as pessoas pararem. Percebi de imediato que alguém precisava de ajuda.
Saí do carro mas não tinha ainda avistado nada de anormal. Ouvia sim, um choro de um bebé que não parava. Um choro forte, agudo, de dor.
Quando olho para o separador central, estava um carro capotado, encaixado ali, com os vidros todos partidos e em mau estado. Para o meu lado da estrada, atravessava uma das passageiras, toda ensanguentada com uma bebé ao colo, cortada e cheia de sangue também. Com elas, um miúdo de seis/sete anos a tremer e em estado de choque. Ainda me aproximei dele, mas não quis que ninguém lhe tocasse, nem beber água nem nada. Aninhou-se no chão, a chorar compulsivamente e a gritar pelo nome da bebé.
A senhora ali continuava, a abanar a criança (deveria ter 1 ano) e dizer "calma bebé, calma", nem deveria ter percebido que ela própria tinha o braço massacrado com vidros.
Segurei na cadeira da bebé, que gritava sem parar e fiquei congelada ali, eu própria a tremer e a absorver a aflição daqueles três.
Passou nesse instante uma ambulância que parou e deu assistência.
Nessa altura também, quando eu achava que não havia mais ninguém no carro acidentado, sai de lá o condutor, todo coberto em sangue, com o cabelo e cabeça com vidros mas a caminhar pelo próprio pé.
Todos diziam que estavam bem, apenas em pânico pela bebé.
Por coincidência, um dos carros que veio a parar junto a nós, era de um médico que analisou logo a bebé. Eu ali já nada fazia, só assistia a uma série de tubos que colocaram na criança.
Pousei a cadeira da bebé junto à berma, perguntei se precisavam de mais alguma coisa e desfizeram-se em agradecimentos.
Estavam bem amparados agora e eu podia seguir viagem.
A última coisa que ouvi foi a senhora (avó da criança) a chorar e a implorar para que a neta não morresse.

Entrei no carro, ainda a tremer e chocada, e chorei quase a viagem toda até casa.
Chorei pelo sofrimento que vi. Por ver em primeira mão que a vida é tão frágil.
E que podia ter sido qualquer um de nós.
Não sei mais o que se passou com aquela família, mas torço para que a pequenina tenha resistido.
Por isto e por tantas coisas, vamos aproveitar o dia de hoje e fazer coisas felizes!

20 comentários:

  1. Estou arrepiada da cabeça aos pés...sem palavras. Que sim que lhes corra tudo bem.
    A vida é um sopro.

    Fico muito feliz de te saber por cá:))))

    Abraço9 longo querida e um olhar sincero de ...gosto de ti:)

    jinhosssssss

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  2. Nestes momentos sentimo-nos tão impotentes, também fico a torcer para que toda a familia esteja bem.

    Beijos

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  3. Bolas..q susto tão grande....E tu deves ter ficado em panico!Eu ficaria:(Acredito q sim que ficarma todos bem:)Gostei da Foto!È isso mesmo:)P:M:

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  4. Estou arrepiada. Incrivel como a vida é curta.

    Parabéns Vânia foste a heroína do dia :).

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    1. Eu não fiz nada, só parei quando percebi que alguém mo pedia para fazer...
      obrigada!

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  5. Fiquei arrepiado. Como a vida é frágil.
    Espro sinceramente que tenha sido só um susto e todos tenham ficado bem.

    A frase não podia ser mais adequada.

    Bjs

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    1. Acho que sim, que foi acima de tudo, um valente susto!

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  6. Bem que viagem... Fiquei arrepiada e angustiada só de ler. Todos os acidentes são maus, mas quando envolvem crianças parece que são ainda piores.

    Acalma-te e reza para te tudo acabe bem para aquela família.

    Um beijinho grande*

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  7. Que situação complicada! A vida tem destas coisas infelizmente. Mas no meio de tanto sofrimento,podia ser pior... Vai correr tudo bem. Há que acreditar!

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  8. Infelizmente, com as viagens longas que faço todas as semanas, vejo coisas como estas mais do que gostaria... É mais frequente do que eu julgava, mas nem por isso deixo de me arrepiar cada vez que assisto a algo assim... Parabéns pela tua ajuda! :)

    Desejo uma boa estadia por terras nortenhas!

    Beijinhos

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  9. São essas coisas que nos fazem ver como a nossa vida é frágil. Espero que lhes corra tudo bem.
    beijinho

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  10. A fragilidade da vida é assustadora...

    Sónia

    www.bolas-desabao.blogspot.pt

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